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O que você está tentando "esquecer" quando ataca a geladeira por ansiedade?

Por Claudia Babo

O cenário se repete quase todas as semanas. O dia foi exaustivo, o peito apertou com aquela ansiedade que você não sabe muito bem de onde vem e o estado de alerta roubou toda a sua paz. Em poucos minutos, você se pega na cozinha, comendo o que vê pela frente, rápido, quase sem mastigar.

O alívio dura poucos segundos. Logo em seguida, vem um peso avassalador: a culpa.

Você se olha no espelho e se pune, dizendo a si mesma que "falta força de vontade" ou que você "estragou tudo de novo". Mas a verdade que ninguém te conta é que a culpa não resolve o problema — na verdade, ela é o combustível que mantém o ciclo da fome emocional ativo.

Para a Psicanálise e a Nutrição Comportamental, a compulsão por ansiedade não é um defeito de caráter. É uma tentativa desesperada do seu psiquismo de anestesiar um sofrimento que você não está conseguindo colocar em palavras.

Por que desconto a ansiedade na comida?

A resposta curta é: porque funciona — pelo menos para o seu cérebro, por alguns minutos.

Quando você vivencia o medo cotidiano, o estresse crônico ou o desamparo, o seu sistema nervoso entra em colapso emocional. O ato de comer por impulso ativa imediatamente o circuito de recompensa do cérebro, liberando dopamina, o neurotransmissor do prazer e do alívio.

Naquele exato instante em que você mastiga um doce ou um carboidrato, a sensação de ameaça silencia. A comida opera como um "amortecedor" biológico. O problema é que o efeito da dopamina passa rápido, o problema inicial continua sem solução e o vazio emocional retorna, agora acompanhado do arrependimento.

[Para compreender a fundo toda essa dinâmica bioquímica entre o estado de alerta e o seu prato, leia nosso artigo sobre o que acontece com a fome durante crises de ansiedade.]

Engolir as emoções: o que o seu prato esconde?

A clínica psicanalítica nos mostra que a fome emocional é, no fundo, uma fome de palavra. Quando a mulher é ensinada a silenciar suas insatisfações, engolir os seus medos para não parecer "exagerada" e carregar o mundo nas costas sem reclamar, o corpo encontra outra forma de escoar essa energia.

Se a boca se cala para o que sente, ela se abre para o que come. O ato de "atacar a geladeira" é frequentemente:

Uma tentativa inconsciente de preencher um vazio profundo e o desamparo.

Uma busca por proteção em um ambiente ou rotina que parece hostil e inseguro.

Uma forma de autopunição por não conseguir dar conta de todas as cobranças externas.

O ciclo destrutivo da culpa na compulsão alimentar

Tentar resolver a fome emocional se impondo dietas restritivas e regras alimentares severas no dia seguinte é o caminho mais rápido para o fracasso.

Quando você se proíbe de comer o que gosta por causa da culpa, você eleva os seus níveis de estresse e frustração. O seu cérebro, que já vive em estado de alerta constante, interpreta a restrição como mais uma ameaça.
[Essa sobrecarga contínua acaba gerando outros reflexos severos na sua biologia, como dores inexplicáveis e o cansaço que não passa com o descanso.]

Adivinha o que ele fará na primeira crise de ansiedade? Exigirá o dobro de comida para compensar, perpetuando o ciclo: Ansiedade ➔ Compulsão ➔ Culpa ➔ Restrição ➔ Mais Ansiedade.

 [ Ansiedade ]     ➔   [ Compulsão / Impulso ]

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   [ Restrição Severa ] ◄─── [ Sentimento de Culpa ]

Para romper essa engrenagem, você precisa parar de brigar com a balança e começar a escutar o que o seu comportamento alimentar está tentando denunciar.

O caminho para fazer as pazes com a comida e com a mente

A libertação da fome emocional não acontece fechando a boca, mas sim abrindo o espaço da fala e regulando o organismo por inteiro:

Dar voz ao sofrimento (Psicanálise)
: Investigar a raiz das suas angústias e entender o significado oculto por trás do seu impulso de comer. Quando você aprende a nomear o seu medo, você não precisa mais engoli-lo.

Mudar a relação com o prato (Nutrição Comportamental):
Abandonar o terrorismo nutricional, aprender a escutar os sinais reais de saciedade do corpo e acolher a alimentação sem o peso do julgamento.

Acalmar o sistema nervoso (Saúde Integrativa):
Reduzir a inflamação biológica causada pelo estresse crônico, regulando o sono e os hormônios que disparam os gatilhos da compulsão física.

É hora de transformar a culpa em acolhimento

Se você está cansada de viver em guerra com o seu próprio corpo e sente que a comida virou o seu único refúgio contra o estresse do mundo, saiba que existe um caminho de volta à paz. Você não precisa carregar essa sobrecarga sozinha.

Na CLD Luz de Phoenix, nós oferecemos o suporte integrado que você precisa para tratar a mente, o corpo e o seu comportamento de forma unificada.

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Referências Científicas:

 Appolinario, J. C., & Cordás, T. A. Transtornos Alimentares e Comportamento: Abordagens Clínicas e Terapêuticas.

Freud, S. Inibição, Sintoma e Angústia (Estudo sobre o desamparo e manifestações somáticas).

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